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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, Homem, de 20 a 25 anos



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    As agruras de um homem comum


    Notícias de Jornais 1 - É 7 de Setembro (Cegueira em nossos corações)

    * O post Notícias de Jornais refere-se a textos escritos nos dois últimos anos a partir de notícias publicadas nos principais jornais do país. Contudo, as discussões ainda são pertinentes.  

    É 7 de setembro, acordo pela manhã, pego o jornal; passo displicentemente os olhos pela primeira página – nada em particular aguçar a minha curiosidade. Mesmo assim, continuo preguiçosamente o enfadonho exercício. No verso da primeira página, uma fotografia: turistas posam para fotos na Praia Vermelha, ao fundo o Pão de açúcar, e ao lado, inerte e ignorado, como pertencente à paisagem habitual, envolto por um mórbido saco preto, um corpo. Meus olhos já ávidos e curiosos lêem a legenda da fotografia. Intero-me dos fatos. No instante seguinte, a mão: papel e caneta.

     

    O corpo em questão, era do paulista João Donizete da Silva, de 49 anos, deficiente visual que viera ao Rio participar de um torneio de futsal no Instituto Benjamim Constant, e morrera tragicamente afogado por causa da forte ressaca. Os dois companheiros de Donizete – também deficientes visuais – felizmente conseguiram se salvar.

     

    A foto sintetiza o estado das coisas, é descrição literal do espírito do nosso tempo, é metáfora do nosso egoísmo, da nossa falta de compaixão.

     

    Ai, meu Deus... Quantas vezes eu não me comportei daquela mesma forma?  Indiferente. Alheio a dor alheia, preocupado apenas somente com a minha própria miséria.

               

    Hoje, vivemos num estado onde o outro começa a se tornar invisível, passando não mais existir como semelhante. Os nossos olhos anestesiados são incapazes de se sensibilizarem com os outros, com o que está fora do âmbito do nosso próprio umbigo. Há cegueira em nossos corações. Por isso, a cada dia mais, fazemos parte de um triste círculo vicioso: olhamos, mas não vemos; não sendo capazes de ver, não enxergamos; não enxergando, não sentimos; e, não sentindo, tornamos–nos indiferente.

     

    Na epígrafe do livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, do Prêmio Nobel de Literatura José Saramago lê-se: "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara", do livro dos Conselhos.

     

     



    Escrito por Davidson Davis às 14h58
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    Notícias de Jornais 3 - Por conta do Leitor

    * O post Notícias de Jornais refere-se a textos escritos nos dois últimos anos a partir de notícias publicadas nos principais jornais do país. Contudo, as discussões ainda são pertinentes.  

     

    Passado um ano do escândalo dos sanguessugas, grande parte dos 69 ex-deputados federais envolvidos pelas denúncia de negociação de recursos para compra de ambulâncias superfaturadas em troca de comissões, mesmo sem mandato, estão na vida pública sem maiores transtornos, atuando em seus partidos, nos corredores do Congresso e dos ministério em Brasília. Na última semana, o Conselho de Ética aprovou a tese de que acusações em legislaturas passadas não têm valor.

     

    Deputados não eleitos, mas presidentes dos diretórios estaduais de seus partidos:

     

    Agnaldo Muniz (PP – RO)                     

    Benedito Dias (PP-AP)

    Coronel Alves (PR – AP)

    Eduardo Seabra (PTB – AP)

    Enivaldo Ribeiro (PP _PB)

    Heleno Silva (PR – SE)

    João Caldas (PR – AL)

    Jonival Júnior (PTB – BA)

    Jorge Pinheiro (PR – DF)

    Júnior Betão (PR – AC)

    Nilton Capixaba (PTB – RO)

    Paulo Gouvêa (PR – RN)

    Raimundo santos (PR – PA)

     

    Primeiro suplentes em suas coligações, podendo assumir o mandato na Câmara em 2008:

     

    Agnaldo Muniz (PP- RO)

    Edir Oliveira (PTB – RS)

    Enivaldo Ribeiro (PP – PB)

    Érico Ribeiro (PP – RS)

    João Grandão (PT – MS)

    Júnor Betão (PR – AC)

    Raimundo Santos (PR – PA)

     

    Envolvidos reeleitos:

     

    João Magalhães (PMDB – MG)

    Marcondes Gadelha (PSB - PB)

    Pedro Henry (PP – MT)

    Wellington Fagundes (PR – MT)

    Wellington Roberto (PR - PB)

     

    Quem sabe o amigo leitor possa ajudar-me neste desafio que se impõe. Qual seria o título mais adequado para este texto. Devido minha incapacidade para o caso, recorro a vocês.  Na verdade, já cogitei algo em torno de: “Julgados pelas Urnas!” ou “Amnésia x Anistia” – que embora sejam constituídas pela mesma raiz etmológica, de fato, não são a mesma coisa. Como muitos querem nos fazer crer. Que fique bem claro: não há nenhum prêmio para o título mais original. Conto com vocês.

     

     



    Escrito por Davidson Davis às 14h57
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    Notícias de jornais 3 - Mais uma brincadeira

    * O post Notícias de Jornais refere-se a textos escritos nos dois últimos anos a partir de notícias publicadas nos principais jornais do país. Contudo, as discussões ainda são pertinentes.  

    Na madrugada de 20 de abril de1997, cinco jovens de classe média alta de Brasília, queimaram vivo um índio Pataxó que dormia num ponto de ônibus na Capital Federal. Galdino Jesus dos Santos teve 95% do corpo queimado e morreu horas depois. Os civilizados jovens acharam que se tratava de um mendigo e por isso teriam feito “apenas uma brincadeira”.

     

    Passados quase dez anos, dois jovens de Tangará da Serra, município de Mato Grosso, foram presos depois de atearem fogo a um mendigo que dormia ao lado de um depósito de um supermercado. A vítima, Alexandre da Silva, teve 60% do corpo queimado e está internada na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital das Clínicas da cidade. Mais uma vez, os civilizados jovens disseram pretender fazer “apenas uma brincadeira”.

     

     



    Escrito por Davidson Davis às 14h55
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    Notìcias de Jornais 4 - Ana, Mia e Sil (A ditadura da beleza burra)

    * O post Notícias de Jornais refere-se a textos escritos nos dois últimos anos a partir de notícias publicadas nos principais jornais do país. Contudo, as discussões ainda são pertinentes.  

    Em artigo intitulado “Prisioneira do corpo”, publicado na edição do jornal “O Globo” de 20 de novembro de 2006, Frei Betto sintetiza a ditadura da beleza: “Não há beleza, há um padrão de formas que suplica reconhecimento aos olhos alheios”.

    Nos últimos dias, três tragédias corroboram para afirmação de tal mazela. Na terça-feira, a modelo paulista Ana Carolina Reston, de 21 anos, 1,72m, pesando 40kg, morreu em São Paulo, por infecção generalizada provocada por Anorexia Nervosa (perda de apetite), após 21 dias de internação no Hospital do Servidor Público Estadual. Segundo a família, Carol – como era chamada de forma carinhosa – também sofria de Bulimia.

    Menos de 48 horas depois, a estudante paulista de 21 anos, Carla Sobrado Casale, viera a falecer após sofrer duas paradas cardíacas decorrentes do agravamento de um quadro de Anorexia. Segundo a avó de Carla, Maria Luiza Sobrado, a estudante sempre dizia: “Vovó, eu prefiro morrer do que ser gorda”.

    Se já não bastasse, a paranaense Daniele Gonçalves Freitas, de 25 anos, morreu sábado, no meio de uma cirurgia ao realizar procedimento para implante de silicone. A morte teria sido ocasionada por choque anafilático (reação alérgica à anestesia). Segundo Samuel Freitas, irmão de Daniele, o implante de 220ml de silicone nos seios era o sonho da irmã e a cirurgia não sairia por menos de R$ 7 mil.

    Embora seja notoriamente sabido o que inúmeras pessoas fazem para obter um corpo em conformidade a um padrão doentio e inatingível. É chocante vê o desespero de uma mãe que perde a filha. Miriam Reston, mãe da modelo Ana Carolina, em lágrimas, desabafou: “Nada paga a vida de uma filha. Nem grife famosa.”

    Essas moças, como várias outras pessoas que sofrem as mesmas conseqüências cruéis do mundo moderno. São antes de qualquer coisa, vítimas da perniciosa ditadura da beleza, imposta pela mídia e legitimada por grande parcela da sociedade. Os homens continuam preferindo “as gostosas”; e as mulheres, “os sarados”. Excluindo todos os outros que não se encaixam nesse modelo. Decerto, é imperioso combater a lucrativa cultura de consumo baseada na estética do corpo, indo de encontro aos interesses das agências de modelos, das indústrias de cosméticos, dos donos de revistas, anunciantes e fabricantes de roupas. Mas acima de tudo, reverter esses mesmos valores enraizados na sociedade.

     Ao longo da história vários foram os tipos de beleza. No século XIX, por exemplo, eram belas as mulheres com uma massa superior ao padrão atual. Embora as mulheres historicamente sempre tenham sido oprimidas por rígidos cânones de beleza – veja o caso do espartilho. O advento do capitalismo inseriu o conceito de beleza na lógica do mercado. Padronizando-a. Nos EUA são gastos, anualmente, cerca de 60 bilhões de dólares em produtos de beleza.

    É evidente que todos tem o direito de preocupa-se com o próprio bem-estar. Mesmo que para isso, faça uso de recursos estéticos. No entanto, sem exageros. Senão milhares de pessoas continuarão morrendo. Deve haver bom senso no uso de tais recursos. Pois. Beleza é vida. E, não morte!

     

     



    Escrito por Davidson Davis às 14h54
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    Notícias do Jornais 5 - As paradoxais páginas da Vida

    * O post Notícias de Jornais refere-se a textos escritos nos dois últimos anos a partir de notícias publicadas nos principais jornais do país. Contudo, as discussões ainda são pertinentes.   

     

    Manoel Carlos, autor da novela “Páginas da Vida”, recebeu pelas mãos da vereadora Aspásia Camargo, a medalha Pedro Ernesto, em cerimônia realizada no Plenário da Câmara, no último dia 30 de março. Tal homenagem é fruto de seu grande trabalho de responsabilidade social.

     

    “Em suas novelas, Manoel Carlos nunca perdeu a ocasião de fazer um grande marketing social ou vários deles ao mesmo tempo, como ocorreu em ‘Páginas da Vida’ onde abordou, de maneira comovente, o preconceito contra portadores de síndrome de Down e contra a AIDS, o preconceito racial, os males do alcoolismo, a anorexia e da bulimia, todos temas que exigem esclarecimentos à população e tomada de consciência coletiva”, afirmou Aspásia.*

     

    Os atores que interpretaram personagens que simbolizavam essas questões, como a menina: Joana Mocarzel, Carolina Oliveira que interpretou a racista Gabriela, Eduardo Lago, que foi o machão alcoólatra Bira e Miguel Lunard, que interpretou o soropositivo Gabriel e os atores Regina Duarte e Marcos Caruso, também foram homenageados com Moções de Congratulações.

     

    É fundamental que a mídia – vide a teledramaturgia brasileira –, com o seu potencial de formar opinião e a abrangência de seu alcance ponha em pauta discussões dessa relevância. Contudo, não podemos nos deter na superfície do pleito, temos o dever de ir além. Nos últimos anos é crescente a utilização do marketing social de forma ilegítima. Temas que possuem natureza polêmica são “discutidos” de forma caricata. Na verdade, o que importa nestes casos, são os números da audiência e, conseqüentemente, a verba dos anunciantes. Se não fosse o caso, como explicar que os negros ainda continuam marginalizados na teledramaturgia? Quem lembra de uma das primeiras cenas da novela? Leblon: após um arrastão um homem negro corre desesperado pela orla tentando fugir da polícia. Qual o verdadeiro significado dessa imagem? O que estar por trás dessa escolha? Em quais preconceitos ela é sustentada? Seria ela mesma necessária? Cuidado: o cinismo pode nos levar a pensar que ela apenas traduz a realidade. Se assim for: não é o caso de lutarmos contra essa realidade?

     

    Ah sim, você pode dizer que havia personagens negros na novela. Então, diga: o que você acha da exuberância da Quitéria Chagas, aprisionada num conjuntinho de empregadinha doméstica? Também temos o jovem Salvador Fortunato, personagem de Jorge de Sá, - filho da cantora Sandra de Sá -, que interpretou o filho adotivo da Helena de Manoel Carlos – Regina Duarte -, típico caso de paternalismo, não é? Qual a cor da empregada da Helena, personagem de Thalita Carauta? Por que a Clarinha – personagem da menina Joana Mocarzel – não poderia ser negra? Alguém já viu um portador de síndrome de down negro ser retratado pela mídia? Nem precisamos ser tão radical assim. Qual o último casal negro a beijar apaixonadamente na boca em horário nobre? Sim, temos um caso de exceção neste mosaico bizarro de discriminação: a atriz Elisa Lucinda, interpretou a médica obstetra Selma Araújo, amiga inseparável de HELENA.

     

    A novela Porto de milagres de autoria de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, também veiculada pela Rede Globo de Televisão, em 2001, cuja trama recheada de misticismo se passava na Bahia - estado com a maior concentração de negros no país -, é símbolo desse quadro discriminatório: raros personagens eram negros (a Bahia é o estado maior percentual de negros no país). No entanto, não é o caso de simplesmente aumentar apenas o número de personagens negros e, sim, de contar suas histórias. Mais recentemente, Thaís Araújo, foi protagonista da novela “Da Cor do Pecado”, à maquiagem utilizada na atriz, segundo minha percepção, deturpava a sua cor natural, produzindo um efeito de embranqueamento. Grife isso: este texto não tem como objetivo propor uma guerra absurda entre negros e brancos, como alguém poderá dizer. Isso seria um absurdo. A intenção aqui é discutir as imagens preconceituosas produzidas pela mídia e lutar pela sua extinção. Esses crimes não são cometidos apenas contra os negros. Os nordestinos também são representados apenas como porteiros ou empregadas domésticas.  

               

    Caros amigos, vamos ser justos. A discriminação não é monopólio de nossa teledramaturgia. Esta cultura criminosa é difundida também em outras mídias. Observe: quantos não-brancos é possível encontrar nas propagandas veiculadas na televisão, nos outdoores ou nas páginas de revistas? É vergonhoso este projeto discriminatório em detrimento da multiplicidade do Povo Brasileiro.

     

     

     



    Escrito por Davidson Davis às 14h52
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